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nov 26

Na Mochila

Voltando do trabalho no dia de ontem, (a chuva nos permitira chegar ao ponto de ônibus), quase secos e quase molhados, estávamos nós sob o abrigo do ponto. Eu cinquentão de mochila nas costas e um grupo de adolescentes que chegara com uma alegria transbordante, cabelos molhados vozes estridentes, todos também de mochilas.
Subindo no ônibus, não tão lotado como de costume, lá também encontravam-se jovens de mochilas nas costas, aspecto de que voltavam do trabalho também, pouco tempo depois na parada Imigrantes, desço e caminho em direção de casa, ao passar no cruzamento logo mais abaixo, sou abordado por um outro jovem, esse sem mochilas nas costas, aquele menino baixinho e beirando os 16 anos me pedia um trocado, enfiei as mãos nos bolsos e tirei duas moedas, uma de dez centavos e outra de cinquenta, peguei a de cinquenta e dei-lhe sem pestanejar, ele agradecido mostrava-me um punhado de moedas miúdas numa das mão, dizia ele que não tinha conseguido quase nada para completar um lanche, eu como que para aliviar a consciência dei-lhe também um conselho:
– Veja lá heim! é para comprar comida. Vai com Deus.
Chegando em casa, pus minha mochila na cadeira da sala, como sempre, sentando-me no sofá da sala, fiquei por instantes a olhar as notícias na TV, operação militar no Morro do Cruzeiro no Rio de Janeiro. Vejo lá também centenas de jovens de mochilas nas costas, quase secos e quase molhados, certamente suas vozes também estridentes, todos correndo morro acima. Ainda bem que aquele menino no cruzamento perto de casa não havia ganhado uma daquelas mochilas da TV.

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