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abr 01

Decanto

De vez em quando…
não é sempre, talvez latente
sem quase nunca despertar…
esse poema mora comigo
como divino inquilino
a jamais me abandonar…

De quando em vez…
e é quase sempre
ele nunca ausente
fiel se faz
e se desfaz
em versos de verbos
de guerra e paz.

Decanto essa poesia,
no feltro de meu coração
quem mais me diria
que tudo isso é em vão…

Traço meias verdades
em meias mentiras
em meias claridades
de leigas meninas

de tristeza e iniquidade
de bonança e desventura
de campo e de cidade
de azedume e de doçura

Traço e decanto
em letra folha e pranto
de papel e cinzel
de alabastro e de quebranto

Decanto temas e teoremas
de tempos e de templos
de ventos e tristes lamentos
de subidas e de ladeiras

Decanto o meu tempo
que se esvai por entre meus dedos
vai embora
na poeira de que é feito

Decanto esse encanto
que me reveste de tempo
nova mente sinto-me folha morta
levado por esse velho vento.

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