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maio 17

No bar do Miltão.

Tarde da noite de segunda, andávamos de carro pelas ruas da cidade, de retorno para casa vinhamos conversando amenidades quando o sinal fechou. Lá fora na noite fria e molhada, uma pessoa estendia suas mãos enrugadas em pedido de esmola, naturalmente o que nos veio à mente foi o primeiro impulso de não dar nada, afinal ele poderia se drograr, comprar uma pinga no bar do Miltão e isso não era certo. Mas, e sempre tem um mas, condoí-me olhando atentamente aquele rosto sofrido, com os olhos súplices e as mãos estendidas, não pude resistir e estendendo minha mão ofertei uma pequena moeda de cinquenta centavos. Aqueles olhos ao verem a pequena peça de metal iluminaram-se, agradecido esboçou um sorriso mais parecido com uma caratonha, virou-se e foi para a calçada.

O sinal fez-se verde, pusemo-nos em marcha para casa. Perguntas se fizeram em minha consciência. E se le foi no bar do Miltão e tomou uma pinga? E se ele comprou uma pedra de crack? E se for essa droga nova, o Oxi que é bem mais barato que as outras? E se ele… Mil perguntas assomaram-se em minha mente, até que uma resposta veio trazendo um certo consolo. O que ele fizera com a moeda é um problema que não era mais meu era somente dele agora. Fora ele que pedira e obtivera. Assim também somos nós, pedimos e obtemos, e o que é que fazemos com as facilidades que Deus nos dá? Será que também não nos drogamos nas baladas que a vida nos oferece? O que fazemos com nossa saúde? Com nossa capacidade de raciocinar? O que fazemos com os talentos que diariamente nos são estendidos pelo Alto?

Pois é, assim como o pedinte de mãos estendidas, nos colocamos diante de Deus mendicando oportunidades. O que faremos com as oportunidades que Deus nos dá diariamente?

Será que vamos tomar uma pinga no bar do Miltão?

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