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maio 20

Antítese de mim mesmo.

Antitese de mim...

Hoje de novo e da vez primeira

ouvi vi e senti,

o que outrora nem percebi

que o tempo já havia sido

e tardiamente amanhecido

 por entre flores murchas de amores

e de velhos poemas amanhecidos

amarelos e esquecidos,

poemas tristes de gente triste e sem sentido,

 e sem que me apercebesse

já havia perdido o proprio sentido

 e quando tudo já tiver sido

 tudo ainda será acontecido

e todo tempo que ainda resta ainda não terá surgido.

 Lendas e lembranças de tranças e andanças

 de poemas envelhecidos

 de pobres poetas mortos

e poetas ainda não nascidos;

 vi a flor que não está em meu jardim

como são belas e cheirosas todas essas flores.

Ainda agora a pouco

senti-me em desconforto

quando me vi de mim distante.

Me vi diante

 do que eu não quero ser

 e mesmo assim

as lamurias

 me atormentam

me angustiam

me aniquilam

 e assim já não sou mais eu,

sou a sombra de mim

a antítese de eu mesmo,

 e o eu mesmo sem fim.

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