«

»

maio 21

Desatino.

Desata os nós de nós,

os pobres somos nós,

que olhamos para o chão,

as riquezas fluem espalhadas na imensidão.

Desata nossos nós

como quem desata o ato atróz

desata que ninguém reata

o pequeno que há em nós.

Desata o destino,

feito homem feito menino

feito casa e castelo

feito areia e farelo

de quem semeia no vento.

Desata o destino aqui dentro

deste peito feito pano

amassado e poído

coração de trapo rompido

esgarçado encardido

desata que ninguém reata

o fel da flor de papel

que jamais havia sumido

desata e reata o que já foi corrompido

apareça o desaparecido

dobre-se o sobre o Belo Monte

o pequeno e belo sino

e te direi que a água da fonte

nasceu das mãos daquele menino.

Deixe uma resposta