«

»

dez 26

Morda-me

Morda-me,

com a boca envolta em aromas de pimenta,

queime-me,

como quem já não aguenta,

a ferida em fogo de infecção.

Com o coração pleno de paixão,

cuspa-me,

como a pior parte de ti,

abjetamente,

a parte que eu me atrevi a ser,

ser-te o undécimo camafeu,

o orfanato e órfão ornato,

que você nunca me deu.

E como talco do último palco,

serte-ei o tabernáculo do teu último amor,

e fino véu de esquecido segredo,

do desterro e  do degredo,

e da tua última dor.

Deixe uma resposta