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maio 13

Buraco de agulha

Tarde e o sol ia-se, no céu de outono o azul destacou teu olhar, o ar seco de mim se agastou, tive sede e tu eras-me fonte. Cansei de andar nos corredores da solidão, busquei o sol que havia lá fora e o encontrei aqui dentro. Despi-me de você ficando nu, já não havia mais os trapos que me cobriam.

Costurei na linha do tempo uma túnica de saudade, cortei as lembranças de tristeza e de tua falta de delicadeza ao tratar os que diante de ti cairam, a generosidade não te foi um pendor e a sinceridade jazia numa pústula de rancor.

Espetei meu peito com a agulha do meu poema, fiz dele uma lança de cavaleiro, ganhei o chão e o céu, de minha garganta muda poesia de menestrel, e além do mundo um céu de azul sedento, azul por fora e cinza por dentro.

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