«

»

jul 30

Os Pretos Velhos do meu quintal

No quintal de minha casa,

tem amora e tem goiaba,

tem pitanga e tem miçanga

tem tabaco e tem orvaia,

 

tem unguento e tem lamento

tem cantoria e serenata

tem mandinga e benzimento

que a todo mal desata.

 

No quintal da minha casa,

tem preto Véio que cura

tem preta Véia que reza

tem bondade e tem doçura

tem verdade e tem candura

liberdade e formosura.

 

Eles que andam por lá,

só tem um desejo

que é o de sempre ajudá,

tem muita sabedoria,

e curam quase todo má,

só não conseguem curá,

quem não qué se ajudá.

 

Eles que zanzam na bondade do Senhor,

dançam e se alegram

quando enxergam o nosso amor.

 

Mas se  a tristeza e a melancolia

chegam trazendo a escuridão,

eles vem e fazem a sua cantoria,

no fundo do nosso coração,

é cantoria de paz

é cantoria e louvor,

é reza que ninguém

melhor faz

pra Deus nosso Senhor.

 

E quando tudo parece estar perdido,

a gente sente ao pé do ouvido

um sussurro num sopro de amor,

são esses véios benditos,

anjos fiéis e amigos

que vem em nosso favor.

 

De suas mãos radiosas,

partem centelhas de luz,

são  mãos tão caridosas

trazendo a bença de Jesus.

E tudo se abranda em nossa alma,

e tudo se aquieta e reluz,

nesses momentos de profunda calma,

em que descemos de nossa cruz.

 

E no quintal lá da minha casa,

No meio de tantas ervas e flores,

Tem pé de Jabuticaba

Sabiás e beija flores.

 

E ali naquele pequeno pedaço de chão

Andam descalços e serenos,

Espíritos  morenos,

Amigos do coração,

 

Que em sua jornada de amor

Insistem em nos mostrar

Um caminho todo em flor

E pra gente não se desviar,

 

Mostram lá longe

Numa distante paioça

No fundo de imensa roça,

O Sinhô desse grande pomar,

Tá lá de enxada na mão

O nosso carinhoso patrão

Sempre o primeiro a trabaiá,

 

É o mestre Jesus Nazareno

Que aqui é lavrador

Um Mestre que também é moreno

A nos chamar pro seu amor,

 

E o Mestre tão bendito

Continua a capiná

Tirando as erva daninha

E replantando elas em outro lugar,

Pois na sua roça abençoada

Não tem erva marvada

Que não há de se regenerá.

Assim também somos nós tudo

A caminharmos por este mundo

Cada um em seu devido lugar

 

E no quintal daquela casa

Tem muita luz e muito amor,

Tem preto e preta veia,

Que trabaiam na lida eterna

de Deus Nosso Senhor.

Deixe uma resposta