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ago 12

Hiato

grito-do-silencio

Toma meu peito em flor,

e em cada pétala,

uma traição do teu amor,

em cada arfar

um decantar

da dor que você me deu,

de cada batida do peito

uma esperança que você vendeu.

Em cada poro de minha pele

uma praga e um venenoso germe

da tua adiantada putrefação,

de cada abraço interrompido,

um ato inimigo do meu coração.

De cada ato impensado

um hiato do meu pudor

de cada noite mal dormida

uma amarga recaída

e uma praga aberta em flor,

uma chaga assim parida

do seio da minha dor,

uma paixão ensandecida,

que só se chama amor.

 

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