«

»

jan 20

Ópio

fumaca
Minha poesia é meu ópio,
nela escapo do real,
me escondo de mim próprio,
me afundo no lodaçal.
 
Mergulho no teu amor,
idealizo o ato imoral
no teu ventre revelador,
que me absorve por total.
 
Na poesia me abstenho,
me abstraio e me obtuso,
de desejar o que não tenho,
no real e no confuso.
 
Nos lábios do teu infecto amor
contorço em mil convulsões
na alegria e na última dor,
no tétano das minhas paixões.
 
 

Deixe uma resposta