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jul 01

Trancas

Ilan Ben Yehuda

Ilan Ben Yehuda

Abro meu peito feito porta,
abro-o para dentro que é o que importa,
abro a minha casa mais antiga
onde guardo a minha maior ferida
de quando habitavas em mim.
 
Casto ao te amar
fraco em confrontar
morto em caminhar
adorno meu sepulcro
com o teu último insulto
levo para dentro de mim
o pano tinto do beijo carmim
da ampulheta vazia das areias do meu tempo.
 
Trarei como estandarte o texto da minha lápide
das heranças que jamais deixarei
do testamento não escrito
do discurso maldito
que declamarei
Abro meu peito como porta,
abro-o para fora como desforra,
deixarei ao tempo
ao teu perfume vencido
e deixarei que o vento
leve teu último suspiro.
 
Fecharei para sempre então
as portas envelhecidas
que abriram meu coração
fecharei com trancas e correntes
deixando todos os meus amores
do lado de fora.

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