set 11

Espectro

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Sou o espectro de mim mesmo
cada marca em minha cara
a cara  sem graça da dor

Cada marca uma desavença
com a minha mocidade
morta em flor

Cada marca um registro
de uma paixão que já não sinto
cada ruga uma rusga
cada defeito um mal feito

 

ago 16

Sobras (ao som de Joe Cocker)

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Olho ao redor
não há nem a sombra de mim
nossas pegadas se apagaram na brisa de nossa última noite
nada restou de nós
a saudade então se tornou um dom
é ela a senhora de mim.
Caminho preso a ela
como quem não quer largar as próprias correntes.
Tenho todas as cicatrizes ainda abertas
como fendas vivas e irrequietas
a lembrarem a minha solidão.
Tomo agora em minhas mãos
as sobras de nossa extinta paixão
são flores secas numa página de um livro não lido
e de uma amor não tido nem ido.

ago 16

Nossa fé

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Que toda fé se eternize
na santa sé
da igreja que nos harmonize

No altar do nosso amor
no púlpito de tantas palavras
no terreiro de nossa cor
no andor de nossas almas.

Que nossa fé seja humana
e mesmo assim divina
sinhá e mucama
idosa mulher e menina

Que seja a fé mais que viva
na mistura de desespero e calma
na diversidade de cada vida
na esperança de cada alma.

Seja uma fé no Eu e no teu
na vida que se inicia
de Europa e Prometeu

Que seja a nossa fé uma crença
de que todo mundo seja bom
de cada parto e de cada nascença
de cada palavra e cada som

Que seja a nossa fé a mais santa
a de que cada homem mulher e criança
 seja o sinônimo de nossa esperança

A esperança que se agita
em cada canto deste mundo velho
da esperança que habita
e se torne o nosso Evangelho

Seja a minha a tua e a nossa
e de quem mais possa
a fé mais que tamanha
de um amor mais que acolhedor

A fé menina e tanta
como a semente é a da flor

Sejam os teus passos os meus
em cada caminhada da nossa dor
sejam os meus versos camafeus
que te traduzam o meu amor.

 

ago 09

Entre os teus dedos

foto by Corinna Kern

foto by Corinna Kern

Tuas mãos estão vazias de mim
nelas fiquei por um momento
tênue curto abrupto
como grãos de areia escorri por entre os teus dedos
nada me poderia reter entre as tuas mãos
nada poderia ser assim
não poderia ser eu o único a ser retido e derretido por teu coração frio
não poderia imaginar que teu olhar fosse assim
tão perto e tão distante de mim
e tão estranho
tão estranho

ago 09

Varro-me

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Varro-me com o vento da saudade
do abraço de agora a pouco
um abraço e um sussurro rouco
de quem ainda carrega um pedaço de ti.

Me pego em lembranças mortas
de tantas vezes em que te fechei as portas
das tantas vezes em que te neguei
das vezes em que eu não te amei.

Varro-me com o vento da saudade
esse vento que sempre venta tarde
quando o arrependimento vem
e com ele a saudade também.

Quero-te ainda um tanto
como quem quer um quebranto
para amansar a alma
quero-te em meio ao pranto
de lágrima alguma
na rua nua de minha alma.

jul 20

Descalço

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Caminho descalço de meus sonhos,
eles se acordaram de mim,
despertaram do meu sono vão...

Sonham agora o sonho de outro
de alguém que ainda assim
tão sedentos de vida 
e não sedentos de mim

Sonho o que já é desperto
como folhas verdes cansadas de um deserto
como seiva seca em ferida aberta
em fenda dividida e secreta.

Caminho descalço de mim
cada passo um descaminho
cada passo um destino
cada passo um sonho em vão
cada jornada uma ferida
aberta no coração.

jun 05

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Em meu peito partido
escrevo malditos
poemas de nenhum amor

em cada verso proscrito
um reverso inaudito
sem nenhum valor

Parto-me em pedaços
de cada caco um laço
de cada canto um nó

de cada pranto um encanto
de cada pano um engano
em cada peito uma mó.

jun 05

Saudade de você

Aqui o meu peito
arde sem fogo algum
ou chama que o faça queimar
sem xamã ou sem Ogum

só mesmo a saudade tua
na minha carne crua
de tantos tempos atrás

de formas sedentas
de tempestades cruentas
de quando você me faz

Não faço mais nenhum poema
tudo é tão distante
tudo é tão dilema
de um mundo tão errante

Em cada letra um erro
em cada verso me agito
em cada dia um verbo
em cada canto um grito.
Tatuagem-infinito-02

 

jun 05

Sem nenhum lugar

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“Azul que é pura memória de algum lugar”
de uma alma antiga que se poe a cantar
cantigas tão velhas
de velhas abertas janelas de algum lugar
de verdes olhos ardentes de qualquer lugar
de ambas iris furtivas
de janelas dalmas dantes tão festivas
de qualquer canto de qualquer lugar
de ventos dissonantes de lugares errantes
de poemas tão distantes
tão falhos de poetas sem nenhum lugar

 

maio 16

Esquecimento

foto by Corinna Kern

foto by Corinna Kern

Não haverá perdão
para o mal que eu te fiz
e o amor que eu não te quis

Não haverá o esquecimento
do que eu ainda sinto cá dentro
saudade maldade e tormento

Não me haverá paz
somente a lápide onde jaz
o teu esquecimento

Não haverá o retorno
somente o desconforto
no meu peito fugaz

Não haverá consolo
somente desilusão
somente o abandono
somente a solidão.

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